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DBSCAN: a metodologia para o entendimento de comportamento baseado em geolocalização

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Quando falamos em dados de geolocalização, muita gente imagina apenas um “pontinho no mapa”. Mas, na prática, o valor real desses dados está no padrão, não no ponto isolado.

Um único sinal de localização diz pouco. Agora, centenas ou milhares de sinais ao longo do tempo contam histórias.

É a partir dessa repetição de horários, lugares e frequência que conseguimos inferir comportamentos, que aqui na Hands apelidamos de GeoBehavior lá em 2018. Através dele que desta análise que conseguimos inferir:

  • Região provável de moradia
  • Região provável de trabalha
  • Lugares visitados com frequência
  • Deslocamentos recorrentes que definem uma rotina
  • Ou mesmo pontos ocasionais, mas que são relevantes por grande concentração de pessoas: shows, eventos esportivos, festas etc

Mas como organizar bilhões de dados de milhões de pessoas que podem estar em dezenas de milhões de locais? Simples, através de metodologias de estatística e probabilística, sem depender de dados declarados.


O desafio: transformar pontos soltos em comportamento

Os dados de geolocalização brutos costumam ter este formato:

  • ID único do device
  • Latitude
  • Longitude
  • Timestamp (data e hora)

Sozinhos, eles são apenas registros técnicos de localização cartográfica.

O desafio é agrupar esses pontos de forma inteligente para responder perguntas como:

  • “Esse conjunto de pontos representa um local fixo?”
  • “Esse local é visitado por outros devices? Na mesma data? Horário?”
  • “Esse local é visitado com frequência suficiente para indicar rotina?”
  • “Em quais horários esse local aparece?”
  • “É um padrão recorrente ou algo pontual?”

É aí que entram as técnicas de clusterização espacial e temporal com uso de metodologia estatística e probabilística.


Uma das abordagens possíveis: DBSCAN

Existem várias formas de agrupar dados de geolocalização e uma delas, bastante conhecida, utilizada e eficiente, é o DBSCAN (Density-Based Spatial Clustering of Applications with Noise).

Apesar do nome técnico, a ideia por trás dele é simples, o DBSCAN agrupa pontos que:

  • Estão geograficamente próximos
  • Aparecem com densidade suficiente
  • Se repetem ao longo do tempo

E ele faz isso sem precisar que você diga antes quantos grupos existem e isso ajuda a identificar padrões e locais que não eram inicialmente conhecidos, ajudando a entender tendências antes mesmo que fiquem evidentes à olho nu.

Isso é especialmente importante quando falamos de comportamento humano, porque:

  • As pessoas não têm um número fixo de lugares
  • Algumas rotinas são claras, outras são mais difusas
  • Sempre existem exceções, mas que podem ser relevantes (shows, eventos etc)

Como isso se aplica a moradia, trabalho e visitas?

Vamos trazer isso para um contexto prático.

1. Inferência de moradia

Em geral, um local de moradia apresenta padrões como:

  • Alta recorrência
  • Presença majoritária à noite
  • Frequência durante finais de semana
  • Permanência prolongada

Quando aplicamos uma técnica como o DBSCAN:

  • Os pontos noturnos e recorrentes tendem a formar um cluster denso
  • Pontos isolados (ruído) são descartados
  • O cluster mais consistente nesse contexto pode ser inferido como provável local de moradia

Nada disso é uma “certeza absoluta” — é uma inferência estatística, baseada em padrão.


2. Inferência de trabalho

O raciocínio é parecido, mas o padrão muda:

  • Presença recorrente em dias úteis
  • Horários comerciais
  • Menor frequência noturna
  • Permanência concentrada durante o dia

O DBSCAN ajuda a identificar:

  • Um cluster distinto do de moradia
  • Com comportamento temporal diferente
  • Com alta regularidade semanal

Isso permite inferir um provável local de trabalho, sem precisar que o usuário diga onde trabalha.


3. Lugares visitados e hábitos de consumo

Nem todo cluster é moradia ou trabalho e aí o DBSCAN pode ajudar ainda mais.

Alguns agrupamentos indicam:

  • Academias
  • Restaurantes
  • Shoppings
  • Hospitais
  • Escolas
  • Pontos de lazer

Aqui, o DBSCAN é útil porque:

  • Identifica clusters mesmo com menor frequência
  • Mantém pontos isolados como “ruído”
  • Ajuda a separar rotina de evento pontual

Esses clusters alimentam análises como:

  • Afinidade com categorias
  • Hábitos de deslocamento
  • Perfil comportamental urbano

Por que DBSCAN é uma das principais metodologias utilizadas para auxiliar a definição de GeoBehavior?

Em projetos com dados de geolocalização, o DBSCAN costuma ser interessante porque:

  • Não exige número pré-definido de clusters
  • Lida bem com ruído (dados esporádicos)
  • Funciona bem em ambientes urbanos densos
  • Se adapta melhor à imprevisibilidade do comportamento humano

Isso não significa que ele seja a única solução — mas sim uma alternativa robusta dentro de um conjunto maior de técnicas.

Na prática, projetos maduros costumam combinar:

  • Regras de negócio
  • Janelas temporais
  • Clusterização espacial
  • Validações estatísticas
  • Camadas de privacidade e anonimização

Importante: inferência não é identificação

Um ponto essencial, e que vale reforçar:

Inferir comportamento não é identificar uma pessoa.

Essas análises trabalham com:

  • Dados anonimizados
  • Padrões agregados
  • Probabilidades, não certezas individuais

O foco está em entender comportamento coletivo, gerar inteligência e apoiar decisões, sempre respeitando princípios de privacidade e conformidade regulatória.


Conclusão

Dados de geolocalização ganham valor quando deixam de ser pontos isolados e passam a revelar padrões de vida urbana.

Técnicas como o DBSCAN ajudam justamente nisso:

  • Transformar volume em significado
  • Separar rotina de exceção
  • Apoiar inferências como moradia, trabalho e hábitos

No fim, o mais importante não é a técnica em si, mas como ela é usada, combinada e interpretada dentro de um contexto responsável e estratégico.

Se quiser saber mais sobre a metodologia DBSCAN ou como utilizar GeoBehavior no seu negócio, entre em contato com nosso time de especialistas.

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Geohash: O que é, como funciona e porque importa

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Toda vez que um sistema de geolocalização recebe um par de coordenadas, latitude e longitude,  ele enfrenta um problema fundamental: coordenadas brutas são contínuas. O planeta não tem fronteiras naturais entre um ponto e o seguinte. Mas bancos de dados precisam de fronteiras. Precisam de índices. Precisam de uma forma de perguntar “quais registros estão perto deste ponto?” sem varrer 500 bilhões de entradas uma por uma.

É exatamente para resolver esse problema que o Geohash existe.

O que é Geohash

Geohash é um sistema de indexação espacial que converte qualquer par de coordenadas geográficas em uma string alfanumérica curta. Essa string não representa um ponto, representa uma célula retangular da superfície terrestre. Quanto mais longa a string, menor e mais precisa é a célula.

O sistema foi criado em 2008 por Gustavo Niemeyer e colocado em domínio público. Desde então, tornou-se um dos padrões mais utilizados em bancos de dados geoespaciais, presente em soluções como Elasticsearch, MongoDB, Redis e sistemas distribuídos em escala.

A lógica central é elegante: em vez de indexar coordenadas com dois eixos independentes (latitude e longitude), o Geohash colapsa os dois eixos em uma única string linear. Isso transforma um problema bidimensional em um problema de busca por prefixo, operação que qualquer banco de dados resolve com eficiência.

Como o algoritmo funciona

O processo começa dividindo o planeta ao meio, repetidamente.

Passo 1 – Divisão binária recursiva

O algoritmo parte da longitude total (−180° a +180°) e da latitude total (−90° a +90°). Para cada coordenada, ele pergunta: o valor está na metade esquerda ou direita do intervalo? A resposta gera um bit: 0 para esquerda/baixo, 1 para direita/cima. O intervalo é então dividido ao meio novamente, e o processo se repete.

Passo 2 – Intercalação de bits

Os bits de longitude e latitude são intercalados alternadamente, longitude, latitude, longitude, latitude, gerando uma única sequência binária. Esse entrelaçamento é o que garante que pontos geograficamente próximos tendam a ter strings similares. A sequência resultante traça o que matemáticos chamam de curva Z (ou curva de Morton): um caminho que percorre o espaço preservando, em alguma medida, a proximidade espacial.

Passo 3 – Codificação em Base32

A sequência binária é dividida em grupos de 5 bits. Cada grupo é convertido em um caractere do alfabeto Base32,  que usa dígitos de 0 a 9 e letras, excluindo propositalmente a, i, l e o para evitar confusão visual com outros caracteres.

O resultado é uma string como 6gyf4bf, que representa não um ponto, mas um retângulo de aproximadamente 76 metros por 76 metros no mapa.

Precisão hierárquica

Uma das propriedades mais úteis do Geohash é sua hierarquia. Cada caractere adicionado à string aumenta a precisão da célula, subdividindo o retângulo anterior em 32 partes menores.

ComprimentoDimensão aproximada da célula
1 caractere~5.000 km × 5.000 km
3 caracteres~78 km × 78 km
5 caracteres~2,4 km × 2,4 km
6 caracteres~0,61 km × 1,22 km
7 caracteres~76 m × 76 m
9 caracteres~4,8 m × 4,8 m

Isso significa que dois geohashes com prefixo comum compartilham a mesma região. 6gyf4 e 6gyf4bf estão no mesmo bairro. 6gyf e 6gye estão em regiões adjacentes. A estrutura de prefixo permite buscas de proximidade extremamente eficientes: em vez de calcular distâncias para todos os pontos do banco, o sistema filtra primeiro pelos geohashes relevantes e refina depois.

Isso é especialmente valioso em escala. Quando você trabalha com centenas de milhões de registros de dispositivos, cada um com múltiplos sinais de localização ao longo do tempo, a capacidade de agrupar e filtrar por prefixo geohash é o que torna o processamento viável.

O problema de borda: o caso que a intuição ignora

O Geohash tem uma característica contraintuitiva que qualquer sistema de geolocalização precisa tratar com cuidado.

A propriedade de prefixo compartilhado vale em um sentido, mas não no outro: dois pontos geograficamente próximos nem sempre têm prefixos em comum. Isso acontece quando os dois pontos estão em lados opostos de uma linha divisória do algoritmo.

O exemplo mais claro: um ponto na margem norte de um rio e outro na margem sul, separados por 20 metros. Se o algoritmo tiver dividido o planeta exatamente naquele meridiano ou paralelo, os dois pontos terão geohashes completamente diferentes, como se estivessem em regiões distintas.

O mesmo acontece em locais próximos ao meridiano de Greenwich (0°), ao Equador, ao meridiano de 180°, e aos polos. Nesses limites, a correspondência entre proximidade física e proximidade de prefixo quebra.

A solução padrão é sempre consultar também as 8 células vizinhas de qualquer geohash de interesse, norte, sul, leste, oeste e as quatro diagonais. Em termos práticos, isso significa que uma busca de proximidade eficiente via Geohash não é uma consulta de prefixo simples, mas uma consulta de 9 prefixos simultâneos.

Por que isso importa para quem trabalha com dados de localização

Para profissionais de mídia e marketing, o Geohash raramente aparece em interfaces, mas está por baixo de praticamente toda operação de geolocalização em escala.

Quando uma plataforma processa sinais de GPS de milhões de dispositivos para identificar padrões de visita, ela não opera sobre coordenadas brutas. Ela indexa esses sinais em células geohash, agrupa os dados por célula, e executa as análises sobre esses agrupamentos. A célula é a unidade fundamental de processamento.

Isso tem implicações diretas na forma como audiências baseadas em localização são construídas:

Granularidade de análise. O nível de precisão escolhido para o Geohash determina a resolução da análise. Geohashes de 6 caracteres (~610m × 1,2km) são úteis para análises de bairro e fluxo urbano. Geohashes de 7 ou 8 caracteres (~76m × 76m) permitem trabalhar na escala de quarteirões e estabelecimentos. A escolha do nível não é arbitrária, ela define o que o sistema consegue distinguir.

Agregação e anonimização. Agrupar sinais de localização em células geohash é também uma das técnicas utilizadas para trabalhar com dados de forma agregada e anônima, sem expor trajetórias individuais. Em vez de tratar cada registro como um ponto único vinculado a um dispositivo, o sistema trabalha com densidades por célula.

Eficiência em escala. A principal razão do Geohash ter se tornado um padrão é operacional: ele permite que sistemas distribuídos particionem e paralelizem o processamento de dados geoespaciais de forma previsível. Cada célula é uma fatia independente do espaço, e pode ser processada de forma independente.

Geohash no contexto de indexação espacial

O Geohash não é o único sistema de indexação espacial existente. Existem alternativas com características distintas:

S2 Geometry (Google): usa uma projeção esférica diferente e células hierárquicas sem as distorções de latitude do Geohash. Adotado em sistemas que precisam de maior precisão geométrica global.

H3 (Uber): usa grade hexagonal em vez de retangular. Hexágonos têm a propriedade de manter distâncias mais uniformes entre centros de células vizinhas, o que favorece análises de fluxo e densidade.

Quadtrees e R-trees: estruturas de árvore usadas principalmente em bancos de dados geoespaciais relacionais, com vantagens em consultas de polígonos complexos.

O Geohash persiste como padrão amplamente adotado por uma combinação de simplicidade, legibilidade humana e compatibilidade com qualquer banco de dados que suporte indexação de strings, uma vantagem prática enorme em ambientes de engenharia heterogêneos.

O código que você não vê, mas que está em todo lugar

Quando dados de geolocalização de centenas de milhões de dispositivos precisam ser armazenados, consultados e processados em escala de tempo real, a escolha da estrutura de indexação não é detalhe de implementação, é a base sobre a qual toda a inteligência subsequente se apoia.

O Geohash resolve um problema que não aparece no briefing de nenhuma campanha, mas que está presente em toda operação de segmentação baseada em localização: como transformar coordenadas contínuas em unidades discretas que um sistema computacional consegue indexar, comparar e agregar com eficiência.

Entender como essa grade invisível funciona, sua lógica hierárquica, suas propriedades de prefixo, seus casos de borda, é parte do que separa quem usa geolocalização como recurso de quem a entende como infraestrutura.

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Limites de plataformas, unificação de dados e integrações são barreiras para personalização em escala. Mas já existem alternativas.

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A personalização no marketing e na mídia já deixou de ser um diferencial e virou uma expectativa real de anunciantes e audiências, mas, quando a conversa sai do conceito e vai para prática, com execução em escala, os desafios aparecem.

É comum ver estratégias bem desenhadas e mapeadas, mas com entregas limitadas e sem escala dentro das próprias plataformas de mídia. Isso não invalida a operação, mas cria um teto de performance quando o objetivo é escalar mantendo a estratégia, o foco e a performance, sem fazer uso de alternativas como o look-a-like que, que apesar de dar escala, tende a transferir a inteligência e aprendizado para os algoritmos das plataformas, deixando de ser um ativo próprio e estratégico das marcas. Isso sem contar que, como o look-a-like não abre os parâmetros e critérios utilizados para busca de similares, ele pode considerar, ou descartar, critérios chave da audiência inicial.

O desafio normalmente ocorre por diversos desafios, como: plataformas, disponibilidade e unificação de dados, opt-in, segurança, legislação, governança e integração.

Enquanto o 1st Party Data tende a ser o mais preciso, pronto e disponível para personalização, existe o desafio do optin e das chaves que permitem o match nas plataformas; email e telefone que sejam os mesmos das contas nessas plataformas. Além disso, ele direciona personalização apenas para os consumidores atuais e não para novas audiências (salvo uso de look a like).

Uma alternativa interessante, mas ainda pouco utilizada, é o 2nd Party Data, que podemos trazer dados com os mesmos critérios e atributos do 1st Party Data, porém de novos usuários, permitindo assim a criação de novas audiências, ampliando o alcance com a mesma estratégia. Porém, aqui também os mesmos desafios, principalmente de disponibilidade e integração de dados.

É justamente para atender esse tipo de desafio, e oportunidade, que a Hands desenvolveu o Audience Hub, sua plataforma de Precision Marketing, que permite o uso de seu próprio data lake, com bilhões de dados de +180 milhões de usuários, e o uso de dados de data providers parceiros, já integrados com as principais plataformas de mídia, de forma criptografada via as APIs oficiais.

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Quando a IA nivela tudo, o comportamento real se torna o único dado que resiste

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Um artigo publicado na revista Trends in Cognitive Sciences por cientistas da computação e psicólogos aponta que o uso crescente de chatbots de IA está associado à homogeneização da expressão humana: estilos linguísticos, perspectivas e estratégias de raciocínio passam a convergir entre os usuários das mesmas ferramentas.

O estudo foca no impacto cognitivo e o impacto na publicidade é mais imediato. Se a IA achata linguagem em larga escala, a produção de conteúdo publicitário com IA vai convergir para o mesmo padrão: mesmo tom, mesma estrutura, mesma cadência. Criativos pasteurizados. Campanhas que soam como todas as outras campanhas. A diferença entre uma campanha de varejo e outra hoje é cada vez mais de orçamento, não de linguagem.

A saída não é deixar de usar IA. É alimentá-la com contexto específico de cada cluster,  comportamento, território, referência cultural, gíria local. Quando isso acontece, o output para de ser genérico e começa a ser relevante. É exatamente a lógica que o Nubank aplicou em favelas e periferias: não uma campanha nacional de inclusão, mas comunicações calibradas para a dinâmica de cada território.

O resultado foi crescimento por redes de confiança, não por alcance pago.

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